Óculos sendo conferido na óptica

Rodrigo Trentin Sonoda professor OWPPor Rodrigo Trentin Sonoda*
Via OWP Educação

No momento da entrega dos óculos, um clima desagradável acontece. A troca de olhares entre o atendente e o cliente demonstra a clara insatisfação. Neste instante, o usuário coloca e tira os óculos, compara a visão de longe e observa o campo de perto, e então dispara, certeiramente: “Nossa, não estou enxergando!”.

Seguindo a cena teatral descrita, duas respostas serão sempre padronizadas pelo atendente:

1 – Para a adaptação ao novo “grau”, alguns dias serão necessários, basta insistir no uso. Inclusive, comece o uso amanhã cedo, estará mais fácil de adaptar.

2 – Cliente, sempre temos este tipo de experiência, basta tentar usá-lo e se estiver muito difícil, procure o responsável pela receita.

Reflita agora. Quem conferiu estes óculos?

Em diversos momentos, o Técnico Óptico ou o Atendente observa o consumidor queixando-se de desconforto com os novos óculos, ou ainda com baixa acuidade visual usando a nova correção prescrita. Qual o fator causador desta inadaptação?

Em minha jornada no segmento, observei que diversos técnicos não conferem os óculos após montados, confiando plenamente no laboratório ou montador. Porém, lembre-se que erros humanos ocorrem, mesmo usando os mais modernos equipamentos.

Para a confecção dos óculos, existem padrões e tolerâncias quanto a centralização de Distância Naso-Pupilar (DNP), altura de montagem, dioptrias e eixos. A importância das medidas tomadas para a confecção dos óculos é indiscutível, mas a montagem dentro das tolerâncias é fundamental.

Em óculos com astigmatismos médios, é intolerável a montagem 5° fora da prescrição. A descentralização da DNP provocará o aparecimento de prisma, gerando queixas de desconforto.

Outra discussão é a altura para lentes monofocais. Em um universo de armações enormes na vertical, a montagem da altura do centro óptico em qualquer ponto provocará o mesmo efeito prismático em relação ao DNP.

A falta de conferência é mais acentuada em lentes mais complexas, gerando alto nível de retorno.

Um erro muito comum observado em casos de problemas na adaptação a lentes progressivas é a linha de montagem fora de horizontalidade.

Para garantir foco satisfatório para a zona de perto é fundamental observar este padrão de montagem. Quando desalinhado, o campo de perto apresentará baixo rendimento ou sombra nas letras.

Com esta reflexão, espero que a partir deste momento todos os óculos aviados por sua óptica sejam conferidos pelo técnico óptico antes da entrega.

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Bons Negócios!


Sobre o autor: Rodrigo Trentin Sonoda é Técnico em Óptica, Optometrista, consultor no segmento e professor na modalidade de Ensino à Distância do Curso Técnico em Óptica da OWP Educação (SP). É também Consultor Técnico da ABCI (Associação Brasileira de Óptica). E-mail: rodrigo@darma.biz